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GRANDES MESTRES DA ANIMAÇÃO
ALGUNS DOS GRANDES MESTRES DA ANIMAÇÃO:
PIONEIROS
James Stuart Blackton (1875-1941):
Precursor do cinema de animação norte-americano, tornou-se diretor e produtor de filmes. Criou diversas técnicas de animação que se tornaram importantes no desenvolvimento da arte cinematográfica como um todo. Começou sua carreira como cartunista e estabeleceu com outros sócios o estúdio Vitagraph que se tornou um dos mais expressivos em sua época. Destacou-se pela produção de filmes com talento e criatividade. Em 1906, com "O Hotel Mal-Assombrado", um dos seus longas mais famosos, chocou o público ao mostrar uma faca que se movia sozinha. Era a introdução da técnica stop-motion no cinema.
Winsor McCay (1871-1934):
Foi o primeiro a transpor para a tela de cinema, em 1909, personagens animados de seus quadrinhos como "Little Nemo" e, logo a seguir "Gertie, the Trained Dinossaur", para o qual utilizou cerca de 10 mil desenhos. Começou a desenvolver algumas técnicas de produção, como ciclos e repetições, que são elementos importantes no universo da animação. Winsor McCay também disseminou entre as platéias do mundo a idéia do desenho animado de curta-metragem como parte da programação normal dos cinemas.
Pat Sullivan (1887-1933) & Otto Messmer (1892-1983):
São reconhecidos por serem os criadores do Gato Félix, desenhado pelo cartunista Pat Sullivan e animado por Otto Messmer, ele ficou conhecido como o primeiro personagem consistente da animação. O desenho conserva o encanto primitivo das produções pioneiras, com seus traços toscos, sem perspectiva e em preto e branco. Passou por diversas transformações, e tornou-se famoso pela utilização de recursos gráficos típicos das histórias em quadrinhos, como balões de diálogos e onomatopéias.
CLÁSSICOS
Paul Terry (1887-1971):
Conhecido como o pai da série Terrytoons, Paul Terry lançou os personagens Mighty Mouse (Super Mouse), além de Heckle & Jeckle (Faísca e Fumaça). Antes de entrar para a indústria da animação, em 1915, Terry fazia comics para jornais. Como animador, ele foi o introdutor de importantes técnicas, sendo um dos primeiros a usar a animação em acetato, além da utilização de diferentes camadas para diferentes partes do corpo do personagem, economizando assim tempo e dinheiro. Lançou a série "Terrytoons" em 1930; e, em 1955, vendeu toda a produção de seu estúdio para a rede de televisão CBS.
Max Fleischer (1884-1972) & Dave Fleischer (1894-1979):
Iniciaram suas carreiras quando o cinema ainda era mudo e o revolucionaram, criando as bolinhas animadas para as platéias acompanharem as letras das canções na tela. Eles produziram a maior parte de seus trabalhos em acetato, o que permitiu ao primeiro filme de seu personagem Koko, o Palhaço, o uso de tinta invisível. Nos anos 20, fundaram os estúdios Out of the Inkwell Films, introduzindo a mistura de animação com live-action através da técnica da Rotoscopia, que consiste em redesenhar imagens a partir da utilização de ações ao vivo. São deles alguns dos personagens mais famosos da animação, como Betty Boop.
Lotte Reiniger (1889-1989):
Considerado o primeiro longa animado da história do cinema, "The Adventures of Prince Achmed", de 1926, dirigido por Lotte Reiniger, utiliza a técnica de silhuetas e sombras, demonstrando forte inspiração da cultura oriental, sobretudo a chinesa. Sua obra também possui influências do expressionismo alemão e sua produção conta também com filmes feitos para a TV, na década de 50.
Walter Lantz (1900-1994):
Criador do lendário Pica-Pau, Walter Lantz foi um dos primeiros a erguer um milionário império de animação e uma respeitável reputação ao redor do mundo. Em 1940, ao ter a casa invadida por um passáro que não lhe dava sossego devido ao barulho que fazia ao furar madeira, veio-lhe a inspiração para sua mais famosa criação. Em 1979, quatro anos depois de escrito o último episódio do Pica-Pau, Walter Lantz ganhou o prêmio especial da Academia, "por haver levado prazer e alegria para todos os cantos do mundo".
Walt Disney (1901-1966):
Criador de filmes de excelente qualidade, ditou quase todos os parâmetros da produção de animação desde os anos 30 até os nossos dias. Na Hollywood de 1920, fundou, com seu irmão Roy Disney, os estúdios Disney Brothers que se transformaram no gigante Walt Disney Studio. Explorando a técnica da rotoscopia criada por Max Fleischer, Walt Disney fez desenhos singulares, como os da série "Alice", misturando animação e live-action. Produziu os clássicos que se tornaram marco na história da animação, como os filmes de seu personagem mais famoso Mickey Mouse e a série "Silly Symphonies".
Ub Iwerks (1901-1971):
Braço direito e amigo pessoal de Walt Disney, ajudou-o a criar o Mickey Mouse, sendo responsável, principalmente, por sua forma, movimento e personalidade. Em 1929, abriu seu próprio estúdio, para o qual recrutou uma equipe de animadores, sendo o responsável pela formação de personalidades famosas como Frank Tashlin e Chuck Jones. Entre as produções mais conhecidas do período estão: "Flip, the Frog" e "Willie Whopper". Recebeu o Oscar em 1963, como supervisor/criador de efeitos especiais do fime "Os Pássaros", de Alfred Hitchcock.
Hugh Harman (1908-1982) & Rudolf Ising (1903-1992):
Começaram como colaboradores de Walt Disney, em 1922, unindo-se mais tarde para produzir filmes independentes. Em 1928, criaram o personagem Bosko, cuja série foi vendida sob o nome "Looney Tunes" para a Warner Brothers. Seus desenhos produzidos para a MGM - repletos de contos de fadas e personagens agitados e alegres - podem ser considerados a síntese da animação de 1930: objetos inanimados adquirindo vida; estilos musicais variando do jazz ao clássico; querubins com vozes altamente afinadas; cenários idílicos; clímax furiosos e finais felizes.
Tex Avery (1908-1980):
Da Warner Brothers à MGM, Tex Avery idealizou um universo irracional, utilizando-se da sátira à sociedade como um instrumento para transpor os limites do senso comum. Suplantando todos os tabus, explorando a metalinguagem e as imagens de duplo sentido, inaugurou uma nova dimensão no desenho animado em Hollywood. Seus personagens erotizados e histórias inusitadas perverteram a tradição clássica da animação. Avesso à produção pautada na imitação da natureza humana, criou personagens imprevisíveis que enfrentavam as leis da física e da razão, em um mundo irreal no qual o sonho e a fantasia transcendem a realidade.
William Hanna (1910-2001) & Joseph Barbera (1911-):
Eles contribuíram imensamente para a história do entretenimento, causando um grande impacto na vida de fãs dos desenhos animados em todo o mundo. Enquanto trabalhava para a MGM, William Hanna formou a parceria com Joseph Barbera - uma aliança que iria durar 60 anos e dar aos dois reconhecimento mundial. A dupla foi bem sucedida não apenas nos diálogos, mas também nas bases e no tempo de suas gags, perfeitamente pontuadas pela música e pelos efeitos sonoros. Quando a Hanna-Barbera Productions abriu suas portas em 1957, eles desenvolveram um processo de animação que iria revolucionar a maneira como os cartoons seriam produzidos a partir de então, resultando num modo de produção mais rápido e barato que possibilitou-lhes criar, temporada após temporada, as clássicas animações para a TV.
Chuck Jones (1912-2000):
Responsável pela criação dos lendários personagens da Warner Brothers, Pápa-Léguas, Coiote e Pepe, o Gambá. Em 60 anos de carreira, produziu cerca de 300 animações, recebendo três Oscar como diretor. Em 1992, seu filme "What?s Opera, Doc?" tornou-se a primeira animação a ser incluída no National Film Registry - uma honra concedida aos filmes considerados cultural e historicamente importantes para a história da cinematografia. Seus trabalhos primavam não apenas pela forma e o estilo, mas também pela composição da história e pela psicologia das personagens.
EXPERIMENTAIS
Oskar Fischinger (1900-1967):
Diretor de animações experimentais na década de 20 na Alemanha, tornou-se reconhecido por ser o pioneiro da animação abstrata e propagandística. Em 1936, já na Califórnia, trabalhou para grandes estúdios, como MGM, Paramount e Disney Studio. Oskar Fischinger destacou-se na animação de silhueta em cera, efeitos especiais e filmes live-action. Desenvolveu uma nova forma de arte com o motion-painting, também ficando conhecido por seus trabalhos de pintura a óleo.
Alexander Alexeieff (1901-1982):
Alexander Alexeieff é mundialmente reconhecido pelo desenvolvimento da técnica pinscreen (tela de alfinetes) que permite executar, quadro a quadro, efeitos de luz e sombra extremamente expressivos. A técnica consistia em uma tabela de alfinetes de aço do tamanho de agulhas, que podiam ser movidos para dentro e para fora da tela, criando sombras e detalhes de luz. Juntamente com sua esposa Claire Parker, Alexeieff trabalhava de um lado da tela e ela, do outro, empurrando os pinos para criar imagens que lembram gravuras em metal.
Len Lye (1901-1980):
Produtor de filmes experimentais, Len Lye participou, nas décadas de 20 e 30, de vários importantes movimentos artísticos como o Surrealismo e o Expressionismo Abstrato em Nova Iorque. Ele desenvolveu um diferente modo físico e cinestésico de conceber o movimento. Seus filmes procuravam formas alternativas ao comercialismo e conservadorismo do cinema e, até hoje, têm influenciado vários diretores. É um dos mais expressivos cineastas a usar a técnica optical printer.
Norman McLaren (1914-1987):
Um dos maiores nomes da animação mundial, Norman McLaren entrou no National Film Board of Canada em 1942, onde explorou todas as possibilidades criativas da animação. Desenvolvendo novas maneiras de animar, aproximou o trabalho do animador ao do artista plástico contemporâneo e do músico de vanguarda. Estudou a leitura ótica da banda sonora na película como meio de transpor e compor músicas, "desenhando-as" no próprio material. Seus filmes abstratos, surpreendem pela espontaneidade e jogo de ritmos entre imagem e som. Também utilizou a pintura e desenho diretamente sobre a película, além de explorar diversas técnicas, como Pixilation, animação com pessoas.
John Whitney (1818-1996):
Reconhecido em todo o mundo como o maior compositor de música visual, além de ser o inspirador dos efeitos por computador usados em "2001: uma odisséia no espaço". Foi pioneiro na utilização do computador no cinema ao criar peças abstratas. Sua experiência com fotografia e cinema começou quando trabalhava como fotógrafo de mísseis na Segunda Guerra Mundial. Por isso, utilizou como equipamento de criação máquinas de Turing (computadores analógicos) e sistemas de controle de mísseis do exército, comprados num leilão depois da guerra.
STOP MOTION
Ladislaw Starevicz (1882-1965):
Fotógrafo e amante de entomologia, adotou o stop-motion para mostrar o comportamento dos insetos. Inventou o filme de animação 3-D de movimentos ininterruptos. Suas primeiras animações foram com besouros, e também fez filmes com bonecos como "Town rat and Country Rat", de 1926, entre outros. Embora dirigidos para o público infantil, seus filmes seriam considerados "estranhos", devido às personagens e situações muitas vezes grotescas. Seus bonecos incluem bichos minimamente antropomórficos e bastante realísticos, tais como sapos e insetos, ursos e coelhos, ou até mesmo brinquedos e hortaliças demoníacas.
Willis O?Brien (1886-1962):
Antes de se tornar um mago dos efeitos, Willis O?Brien trabalhou como cartunista e escultor. Depois de alguns anos e muita experiência filmando suas esculturas, realizou um curta de 5 minutos com criaturas pré-históricas. O filme, chamado "The Dinosaur and the Missing Link" (1915), foi tão aclamado que Willis O?Brien recebeu o convite do produtor W. R. Rothacker para adaptar o romance "O Mundo Perdido", de Conan Doyle, para o cinema. A produção estreou com êxito em 1925, dirigida por Harry Hoyt, e com efeitos criados por Willis O?Brien. O sucesso repetiu-se em 1933, quando "King Kong", de Merian C. Cooper & Ernest B. Schoedsack foi lançado.
George Pal (1908-1980):
Com um estilo visionário, ajudou a dar forma à arte da animação, atingindo o mesmo nível de personalidades como Walt Disney e Walter Lantz. George Pal destacou-se, principalmente, no trabalho com animação stop-motion, do qual é um dos pioneiros e principal representante. Seu trabalho mais conhecido é "George Pal?s Puppetoons", uma série de curtas animados com temas musicais. Nesse trabalho, ele utilizou bonecos de madeira, combinados com a técnica stop-motion, criando uma animação tri-dimensional nunca vista antes. "Puppetoons" trouxe-lhe o primeiro dos cinco Oscar de sua carreira.
Jiri Trnka (1910-1969):
Considerado um dos maiores nomes internacionais da animação, este tchecoslovaco deixou grandes contribuições ao visar uma animação universal. Estudou na Escola de Praga, especializada em stop-motion. Os bonecos de Jiri Trnka realmente adquirem alma pela precisão de sua animação, pois encantam e emocionam com grande poesia.
Ray Harryhausen (1920-):
Discípulo de Willis O?Brien, Ray Harryhausen, estudou escultura e fotografia e, durante a Segunda Guerra, trabalhou como assistente de câmera e animador para o cineasta Frank Capra. Em 1947, realizou seu sonho ao trabalhar como assistente do seu ídolo Willis O?Brien em "Mighty Joe Young" (1949). Considerado o mestre do stop-motion, sua filmografia inclui sucessos, como a série inspirada em "As Mil e Uma Noites", composta por "Simbad e a Princesa" (1958), "As Novas Viagens de Simbad" (1973) e "Simbad e o Olho do Tigre" (1977); adaptações de mitos gregos, como "Jasão e o Velo de Ouro" (1963) e "Fúria de Titãs" (1981).
Jan Svankmajer (1934-):
Nascido em Praga, Jan Svankmajer é um dos grandes nomes da animação tcheca. Produziu seu primeiro filme em 1964 e, durante 30 anos, fez alguns dos mais memoráveis filmes de animação, influenciando cineastas e animadores desde Tim Burton até os irmãos Quay. Suas histórias são repletas de elementos surreais e macabros. O grande domínio técnico, seja em argila, massinha ou na criação de objetos e bonecos, suas obras são caracterizadas pelo humor negro, representação de um mundo decadente, claustrofóbico e kafkaniano.
Stephen & Timothy Quay (1947-):
Inspirados em animadores, compositores e escritores do Leste Europeu, os gêmeos Stephen e Timothy Quay, produziram filmes que promovem uma mistura de fragmentos de poesia e trechos de músicas. A estética prima pela originalidade através do tratamento especial da luz e pelas texturas mórbidas. Verdadeiros mestres das miniaturas, em seus pequenos cenários, eles recriaram o imaginário com paisagens sugestivas de sonhos infantis reprimidos. Seus filmes pretendem investigar o que eles chamam de poesia das sombras, em um ambiente de segredos e conspirações.
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